Aroeira brava

 Eu escrevi noutro dia que, no meu tempo de guri, nunca usei botas rossilhonas e sempre pisei a geada com tamanquinhas rabonas. Isso, no entanto, só acontecia no inverno rigoroso aqui do Rio Grande, nas outras estações do ano, eu andava de pés descalços.

Enfrentar o mundo assim de pé no chão, como se dizia, tinha lá seus (meus) problemas. Por exemplo, caminhar no campo cheio de rosetas, uma espécie de grama repleta de espinhos. Era necessário arrastar os pés ou andar pelas estradinhas do gado para não se machucar.

Havia também o perigo de se pisar em algum galho de juá, que tinha espinhos maiores e pontas quebradiças, que ficavam inflamando dentro do pé. A laranjeira, a bergamoteira, o limoeiro e a limeira, principalmente em galhos novos de brotações, tinham igualmente espinhos terríveis, mas suas agulhadas eram sempre perdoadas pelas frutas saudáveis e deliciosas que forneciam.

Às vezes, eu chegava em casa andando com dificuldade devido a um espinho fincado no pé. O jeito era pegar a velha gamela de corticeira, lavar o local ferido e procurar com uma agulha, no garrão ou no dedão, até tirar o espinho. Se o deixasse no pé, vinha logo uma inflamação com inchaço e muita dor. Havia ainda a inocente urtiga, que provocava uma coceira mais ou menos intensa no contato com a pele.

De todas essas plantas traiçoeiras, a que mais me prejudicou foi a aroeira brava.Dessa vez, eu estava na Serra dos Vargas, no município de Santana da Boa vista (conhecida como Santaninha do Carrapato). Quase bati com a cola na cerca. Tive aroeirite, provocada pelos fenóis da planta.

Para encurtar o causo, eu era sensível ao contato com a planta e acabei ficando mal, com queimação, edema, vesículas por todo o corpo e até lesões secundárias nos “documentos”. E acredite: curei-me sem tomar um remédio sequer, um único analgésico. Não me lembro se minha avó chegou a me benzer.

Diz o folclore que, ao passar pela aroeira, a gente tem que cumprimentá-la: boa tarde, de manhã; bom dia, de tarde. Como era moleque desobediente, talvez não tenha feito isso. Daí, teria vindo o castigo.

About these ads

3 responses to this post.

  1. Posted by Carlos on 23/01/2012 at 21:47

    Também sofri muito com aroeira-brava ( no Paraná nós chamamos de bugreiro). Não uma, mas vezes sem fim. Não podia nem passar perto da árvore que no outro dia amanhecia todo inchado. Por meu azar as dermatites preferiam minha rosto e meus olhos que ficavam inchados. Levava uma semana para curar.Minha mãe fazia todas as simpatias que nos aconselhavam:Tomar chá da aroeira. Pular sobre uma bacia com fumaça de aroeira seca queimando.Cuprimentar os pé de bugreiros. Engraçado que os médicos não tinham solução para o caso. Nunca assumiam que era resultado de alergia por uma planta.Felizmente saí do estado do Paraná onde é comum os pés de aroeira e vim para São Paulo onde ainda não vi nenhuma árvore de bugreiro e as pessoas não a conhecem . Até hoje tenho maior receio quando entro em alguma mata.Se houver uma árvore suspeita dou meia volta.

    Resposta

  2. Posted by Giovanna on 15/06/2012 at 14:40

    Fui vitima nesse feriado….. Nao conhecia a planta e acabei encostando em uma ao entrar numa cachoeira.
    Nesse momento estou cheia de erupcoes e com muita coceira.
    Algum remedio caseiro?
    Quanto demora o processo alergico?
    Abracos,

    Giovanna

    Resposta

  3. Posted by Josué Oliveira on 10/01/2013 at 12:11

    Resolvi pesquisar na internet sobre o assunto, pois no fim de semana do dia 07/01 tive que podar uma arvoresinha que estava “abafando” um limoeiro, e não é que se tratava de uma dessas danadas! O resultado nao deu outro: to todo cheio de efisemas, e com muita coceira. Pior que nao tem remedio, tem que esperar passar com o tempo, leva umas 2 semanas. Que droga!! Me motivei em escrever pois o acontecido foi na fazenda do meu pai, na localidade do Passo da taquara, na estrada de chão Cachoeira do Sul – Santana da boa Vista…
    Abraços, Josué Oliveira

    Resposta

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 323 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: