Sem Jogo de Cintura (6)

Pois o clima amanheceu quente na casa do compadre Tibúrcio. Aquele relacionamento, que vinha meio estremecido depois de ele tentar proibir a Enerenciana de ouvir o programa Jogo de Cintura, mergulhou numa crise profunda.

Também pudera! Exigir que ela usasse cinto de castidade para estudar à noite na faculdade, trata-se mesmo de um absurdo. A comadre sempre foi uma mulher direita, mãe e esposa dedicada, casou-se com o compadre, seu primeiro e único namorado.

De conduta ilibada, fiel, a comadre nunca deu algum motivo para qualquer desconfiança. Por isso, sentindo-se ofendida com as exigências feitas pelo marido, passou-lhe um retovo:

“Tíbúrcio, sabendo como tu és machista, eu já esperava de ti alguma contrariedade, mas nunca pensei que chegarias a esse ponto. Podes tirar o teu cavalo da chuva, eu vou estudar à noite na faculdade e acabou o assunto” – protestou a comadre.

Seguiu-se um breve silêncio e a comadre voltou a falar:

“Cinto de castidade! Ora esses homens antigos! Não sabem que todos nós temos livre-arbítrio, que as mulheres têm direito de decidir sobre o seu próprio corpo, que somos todos iguais perante a lei…”.

A Emerenciana continuou falando mais algumas coisas enquanto colocava roupa suja na máquina de lavar. E o compadre, então, teve de, novamente, meter a viola no saco, sabendo que, com a Emerenciana, agora, não aceita mais jogo de cintura. E, muito menos, cinto de castidade.

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