Lavagem do poeta

Acabei de chegar de Santiago, conhecida como  a “Terra dos Poetas”. Morei lá durantes sete anos, mas não sou um deles, nunca fui além de um esforçado vate, o que confirma aquele aforismo de Horácio: “poeta nascitur, non fit”.

Numa das entradas da cidade, logo após o pórtico, havia uma placa com a inscrição “Lavagem do poeta”. A minha Patroa, que nasceu por lá, achou-a engraçada.

Eu, no entanto, considero-a ambígua, mesmo com  o auxílio do conhecimento prévio e do contexto. Santiago teve (e tem) grandes poetas, como Fernando Caio de Abreu.

Numa primeira leitura daquela placa, podemos concluir que aquela lavagem pertence ao poeta, Mas fica a pergunta: a quem, especificamente, são tantos. Há a presença de um artigo definido na frase.

Existe ainda a possibilidade de múltiplas leituras, que só poderão ser desambiguadas (todas), com  boa vontade do leitor: o poeta faz lavagem (de carros); o poeta recebeu (sofreu) uma lavagem, etc.

A pergunta continua a mesma: quem é o poeta? Caio já morreu há muito tempo, deve ser de alguém da nova geração, que lava carros.  Como os poetas gostam de ambigüidades!

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