Pravda

A arma geopolítica do petróleo

11.01.2015
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A ARMA GEOPOLÍTICA DO PETRÓLEO

A arte da guerra

Agora que o desmoronar do preço do petróleo está enforcando a Rússia, que já se encontrava em crise por causa das sanções USA/UE, tem-se ainda a limitação de suas exportações energéticas, assim como o fato dos Estados Unidos estarem a caminho de tranformar-se no maior produtor mundial do crú, tomando o lugar da Arábia Saudita, o que os fará não sómente autosuficientes, mas em condiçõ

A caída de preço deve-se não sómente a fatores econômicos, como a diminuição da procura mundial, mas também a fatores geopolíticos. Em primeiro lugar a decisão da Arábia Saudita, que é o maior país exportador de petróleo antes da Rússia, de manter uma alta produção. Sabe-se que se a oferta aumenta, o preço do crú cai. Qual seria o interesse da Arábia Saudita em efetuar uma tal manobra arriscando os seus próprios dividendos petrolíferos? O seu interesse é o de chacoalhar os outros países exportadores do petróleo, principalmente então a Rússia, o Irã e a Venezuela.

Riad pode se permitir uma tal manobra porque os seus custos de extração do crú saudita estão entre os mais baixos do mundo, 5-6 dólares por barril, de quando o extrair de um barril de petróleo no Mar do Norte, por exemplo, custa mais do que 26 dólares. A ideia de que a manobra de Riad seja dirigida contra os Estados Unidos, onde se começou o boom do petróleo do xisto betuminoso, não tem fundamentos. De um lado porque os Estados Unidos continuam a importar o petróleo saudita, o qual tem suas qualidades adaptadas as rafinaderias dos Estados Unidos, e do outro porque o petróleo de xisto betuminoso irá substituir aquele que era importado da Nigéria, Angola e Algéria. Isso também é assim porque a manobra com o petróleo foi estabelecida num acordo entre Washington e Riad, baseando-se numa estratégia onde o principal objetivo era o de enfraquecer e isolar a Rússia.

É dentro desse contexto que se insere o boom do petróleo e gás extraido nos Estados Unidos dos xistos betuminosos através da técnica de fraturação hidráulica, quer dizer, da perfuração de rochas nos estratos profundos da terra, por água sobre pressão, água pressurizada essa que contém então substâncias químicas. Ess é um técnica muito cara : De acordo com a Agência Internacional de Energia, a extração do petróleo de xisto custa 50-100 dólares por barril, o que se pode pôr em relação aos 10 dólares por barril do petróleo do Oriente Médio. De acordo com os peritos a extração do gás de xisto seria interessante economicamente se o preço internacional do petróleo se mantivesse acima de 70 dólares por barril. Desde junho, ao contrário, o preço caiu de 40%, indo a cerca de 60 dólares e poderá cair ainda mais.

Como é então possível que esse boom prossiga? Isso se deve ao fato dos Estados Unidos consagrarem bilhões de dólares para incitar esse sector, no qual se empenham geralmente pequenas companhias petrolíferas. É importante notar que as maiores companhias se mantém por fora disso, o que pode ser explicado com o facto de que os depósitos explorados com a técnica da fraturação esgotam-se muito mais depressa do que os convencionais. Depois deve também ser considerado que essa técnica provoca um grande e muito grave desgaste ambiental, onde os custos recaem sobre as coletividades locais. Muitas dessas se opõem, mesmo que seja com magros resultados, ao uso de seus territórios para a extração do gás e petróleo de xisto.

O boom petroleiro dos Estados Unidos é portanto dirigido por objetivos geopolíticos de Washington : de um lado para chacoalhar a Rússia e outros países, e do outro para fazer com que os aliados europeus substituam o fornecimento energético russo pelo dos provenientes dos USA. Na verdade os Estados Unidos, o maior importador mundial do crú, não poderá fornecer a Europa o petróleo e o gás natural nas quantidades necessárias para ela, e nos preços russos. Tudo aqui é um veritável blefe de guerra do “pôquer americano”.

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