Piolhos e Companhias

A menininha, vindo da creche, chegou em casa com 18 piolhos na cabeça. A mãe, é claro, ficou horrorizada com aquela novidade.

Piolho, exceto de galinha, e chato, exceto no Facebook, e muquirana, eu nunca tive. Em compensação, já fui hospedeiro de bicho-de-pé, pulga, sarna e, como já disse, de piolho de galinha.

O bicho-de-pé gostava muito do meu garrão. Eu andava sempre com os pés descalços, ficava fácil para eles pegar carona. Retirava-os, depois, à ponta de canivete.

De pulga, sempre havia fartura, morando em rancho de chão-batido. Era até legal quando, de noite, elas corriam sobre a barriga da gente. Combatia-as com Neocid.

A sarna era coisinha que incomodava. Um coça-coça sem fim, o meu saco chegava a ficar vermelho de tanto coçar, embora eu já fosse gremista. Tratava-a  com Miticoçan, uma espécie sabonete.

O piolho de galinha era complicado, corria no rosto da gente e por aonde não devia. Pegava-o no galinheiro. Acabava com aquele bichinho botando Gamerial, que também era bom para as pulgas, mas de cheiro muito forte.

Eu sou daquele tempo do mijacão, do terçol e do cobreiro, quando as pessoas morriam de nó nas tripas. Piolhos e companhias serviam também para  nos entreter no inverno, lagarteando e catando-os na roupa. Foi daí que saiu aquela frase: “Vai-te catar!”

Esses bichinhos eram enjoados, mas não faziam tanto mal à saúde quanto tomar Coca-Cola com aspartame em garrafa de plástico com BPA. Isso, sim, dá câncer de próstata e de seio.

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