Tudo contaminado

No tempo que eu trabalhava na lavoura de arroz, podia-se tomar água de qualquer vertente ou cacimba. Eram fontes de água viva, limpa e fresquinha, ideal para matar a sede de quem suava no cabo da pá fazendo taipa.

Naquele tempo, não havia a contaminação no campo, com aviões jogando agrotóxicos por toda a parte, inclusive sobre nossas cabeças. Quando se fazia a taipa, podia-se beber a água que vertia do próprio leiveiro porque não continha veneno.

Hoje, ninguém pode tomar água, comer uma fruta ou qualquer alimento que não tenha contato com agrotóxicos ou não contenha substâncias químicas  na industrialização. Os produtos naturais, orgânicos, sem agrotóxicos ou aditivos químicos, além de saudáveis e saborosos.

Antigamente, comia-se uma melancia e se guardava a semente para plantar no ano seguinte. Agora, não se faz mais isso porque tudo é transgênico, até o milho para fazer uma canjica socada no pilão. Hoje, nem se lavra mais a terra para plantar arroz, pratica-se o plantio direto com o auxilio de agrotóxicos para eliminar o mato.

O que dizer dessa nova agricultura? Talvez repetir as palavras de Santo Agostinho: Bene curris, sed extra viam = corres bem, mas por fora do caminho. Muita produtividade e pouca saúde para a população.

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