Testículos

Eu nasci e  me criei num lugar denominado Barro Preto, em Cachoeira do Sul, em que havia um banhadal rodeado de pequenas coxilhas. Bem ao alto, ficavam os ranchos dos moradores. Todos eram de chão batido e cobertos de santa-fé. Os meus pais moravam num deles.

Numa ladeira, bem perto do corredor, tinha uma vertente que fornecia água boa para beber e, logo abaixo, formava um poço onde as mulheres lavavam roupa. Eram, em média, 5 ou 6 “ donas de casa” em cada dia ensolarado.

Elas colocavam uma tábua sobre o barranco, ajoelhavam-se numa ponta dela e lavavam a roupa com sabão em barra, esfregando e batendo com uma espécie de pá de madeira para afrouxar a sujeira. Dali, a roupa era levada para o coradouro.

Depois do enxágüe, a roupa era estendida, peça por peça, no alambrado do corredor para secar. Aquelas senhoras  faziam tudo isso conversando animadamente, de vez em quando, saía uma fofoca ou uma boa gargalhada.

Há um ditado latino que diz: “Conhece-se a verdade nas conversas (brigas) das mulheres”.  As lavadeiras do Barro Preto sabiam tudo da vida das pessoas, em especial, do Mulato, um baixinho faceiro e gritão, que os homens o chamavam de “Garnizé”, mas ele se achava galo.

Aquelas pobres mulheres, cansadas da vida e mal amadas, adoravam falar do Mulato, o baixinho, que o consideravam muito especial: diziam que o gajo tinha três testículos.

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