Tio Valdo

Hoje, bateu-me uma saudade do meu tio Valdomiro, mais conhecido como Valdo. Vinha todos os anos da Serra dos Vargas a Cachoeira do Sul para trabalhar na colheita de arroz.

Acampava num rancho e fazia a própria comida em fogo de chão com lenha comprida. Tinha sempre um pau-de-fogo a partir do qual acendia o fogo para esquentar a água para o chimarrão e cozinhar.

Cero dia, ele resolveu fazer pão, A farinha era crioula, sem glúten, feita de trigo que ele mesmo havia plantado.

Sem o fermento e sem o glúten o pão não cresceu, ficou duro e abatumado. Quando tentou quebrar um pedaço para o café, o pão escapou de suas mãos caindo no chão. Um cachorro que estava próximo, “pensando” que era uma pedra, saiu em disparada, gritando.

Ele fumava. De vez em quando, puxava um pedaço de fumo em rama, descascava o que já ía gastar e, com a palha atrás da orelha, picava-o com o canivete.

Depois ele amaciava o fumo nas palmas da mão e fechava o palheiro. Era também um momento de tirar uma prosa e de tomar um fôlego do trabalho pesado.

Eu era um piazinho, gostava de pegar uma carona na garupa do cavalo dele. Para me judiar, o meu tio espichava o braço e puxava o meu tico (nem era bem o tico, mas a fimose, que eu tinha bastante).

O meu tio Valdo era uma excelente pessoa, politizado, brizolista e defensor da Reforma Agrária. Tenho saudades dele.

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