Furto de melancias

Eu conheci o “seu” Carlos, um senhor que morava na localidade de Quebra-canga, em Cachoeira do Sul; Ele tinha um cercado grande à beira da estrada, no qual plantava melancia todos os anos.

Quando começavam a amadurecer, os transeuntes entravam na lavoura e saíam com uma fruta daqueles debaixo do braço, Quem tinha condução levava mais.

Os vizinhos, vendo aquilo, avisavam o “seu” Carlos dizendo: “Tem gente ‘batendo’ nas melancias”. O velho não se importava e dizia: “Deixa que levem, é para comer mesmo”.

Se esse furto de melancia acontecesse hoje virava manchete de jornal e o ladrãozinho ía para o xadrez. Aliás, os jornais sõ falam de coisa ruim: roubo, furto, assalto, corrupção…

Eu assino dois jornais e, quando os recebo todos os dias e não os leio porque estou cego, pergunto à Patroa: “tem novidade?”

“Não” – responde ela – “É a mesma coisa de ontem, só mudaram a data.”

Voltando às melancias do “seu” Carlos, lembro-me de outro caso, de um sujeito que resolveu entrar numa lavoura e furtar uma cozinhada de batatas. Teve de contratar advogado para não ser preso.

No Brasil é assim: o Código Penal é para os pobres; o Civil, para os ricos. É por isso que muitos roubam para enriquecer. O pobre sempre se ferra.

“Alô, ‘seu’ Carlos, aquela sua melancia amarela estava uma delícia!”

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