Tio Maneco

O meu pai era conhecido como Tio Maneco e tinha nome de gente boa, Manoel Clodomiro da Silva, de ascendência afro-brasileira. Nos serviços relativos à pecuária e à agricultura, como peão, era pau para toda obra

Era vaqueano nas lides do campo como tosar a martelo, castrar um cachaço, curar uma bicheira, socar uma canjica,  quinchar um rancho, amanunciar uma égua, tirar as cócegas de um aporriado, coisas que nenhum desses atores da Globo sabe fazer.

(A minha mãe também matava uma galinha ou fazia um quibebe que só uma boa dona de casa era capaz).

Num fandango, ele era faceiro, dançava a noite inteira, não refugava nenhuma marca,  que podia ser um xote marcado ou uma rancheira, sempre agarradito na cintura da china.

Gostava de uma cachaça purinha no verão, para espantar o calor e, no inverno, para espantar o frio. Assava um churrasco em espeto de pau e o temperava com salmoura para ficar bem suculento. Era o único tempero que usava.

Como bom gaúcho, apreciava um chimarrão bem forte e topetudo, com erva tipo madeirinha. Fumava um palheiro e usava cueca samba-canção bastante folgada para se sentir à vontade.

Esse era o perfil do meu pai. O Facebook também é cultura gaúcha.

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