História de vida (e de morte)

De tanto eu falar em bergamota, convidei a Patroa para buscamos na chara de um casal de antigos amigos, Lá se produz quase tudo, sem agrotóxicos, o que é bom para a saúde e o paladar.

Ao chegarmos à sede, havia um grande silêncio e logo pensamos que o casal estava viajando, pois pretendiam visitar a Itália. Quando nos prepararmos para voltar, apareceu o antigo empregado, muito debilitado, com câncer de pele e entubado.

Perguntamos pelo patrão e ele respondeu: “Ele fez uma cirurgia para retirar um tumor, mas agora está bem. Vou chamá-lo”. Então veio o nosso amigo, muito abatido e cansado da vida. Sorriu timidamente ao nos ver.

Antes que perguntássemos pela companheira, ele foi logo dizendo: “Ela teve um câncer no baço e morreu em menos de um mês. Isso já faz dois anos”. Doente, ele ficou na chácara na companhia daquele peão com o rosto carcomido pelo câncer de pele.

E os filhos? – perguntamos. “Estão muito longe” – respondeu – “o guri está no Rio de Janeiro e viaja pelo mundo inteiro a negócios”.

Fomos colher as bergamotas e, como sou muito realista, tornei a dizer à Patroa: É isso que sobra aos velhos, neste mundo de ilusões, a doença e a solidão.

Ainda bem que ela é uma mulher de fé, ora e não liga para o que eu digo!

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