Invernos de outrora

A noite escura e fria desce sobre a várzea. Os quero-queros fazem a sua última revoada e somente o chilrear da coruja buraqueira quebra o silêncio noturno.

Enquanto isso, o vento minuano sopra por entre as frestas do rancho, apagando, insistentemente, o lampião a querosene. Papai do Céu está dizendo que é hora de ir dormir.

Vovó Carmosina, que tem medo, de tempo feio, reza o Pai Nosso e uma Ave Maria e vamos todos para a cama sob a proteção divina. E o minuano, inclemente, sopra mais forte, fazendo barulho na batida das tramelas.

Na cama de  telinha, no colchão de palha, sob o acolchoado de retalhos e de roupas velhas, dormem os filhos da inconsciência.

Como eram disciplinadamente rigorosos os invernos de outrora.

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