Última morada

Eu sempre gostei de visitar cemitérios, de ler aqueles epitáfios e verificar as classes sociais ali representadas através túmulos e mausoléus, embora na morte sejamos todos iguais.

Mas não esqueço a simplicidade do cemiteriozinho do Capané, cercado de arame farpado, num arrebol à margem do arroio. Lá, descansam em paz, trabalhadores rurais e familiares, no anonimato daquele campo santo.

No chão, há apenas cruzes indicando as sepulturas, entre árvores e arbustos, que dão sinal de vida na absoluta solidão do local. As almas todas já migraram para o além, deixando os seus corpos cansados à sombra de ipês, pitangueiras e algum jacarandá, que nasceram do nada.

Eu sempre disse que gostaria de ter minha última morada num lugar desses para que a minha alma gaudéria viesse, de vez em quando, farejar o meu cadáver e comer alguma pitanga.

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