Sonhos

“Los sueños sueños son”, como dizia Calderon de la Barca, mas confesso que ando preocupado com as meus pesadelos de noites mal dormidas. Tenho sonhado com gato preto, urubu, coruja, bruxa, assombração, feitiço e muito mais.

Ontem, eu comi muito torresmo antes de dormir e sonhei com o Cartucho. Este era um negro velho, carpinteiro, casado com a dona Carlota, que diziam ser ela macumbeira. Moravam, lá no Castagnino, há muitos anos, vizinhando com outro crioulo  conhecido como Caburé.

O Cartucho fazia todo o serviço de carpintaria da granja, desde roda de carreta até caixão para algum defunto. O sujeito batia com as botas (ou mandava o mundo à merda) e, enquanto o cadáver esfriava, o Cartucho fazia o caixão.

Pois esta noite, eu sonhei que o Cartucho estava  tirando as medidas para fazer o meu caixão. Eu ouvi dele um cochicho, dizendo não sei para quem (eu estava morto!): “um metro e oitenta de comprimento, com folga”.

Não tenho dúvidas de que era o Cartucho. Ao sair, eu vi que estava escrito às costas dele, ou melhor, na  camisa dele, a palavra Fosfato. Foi aí que eu me lembrei do fato que ele só usava camisa feita com aqueles tecidos de saco de adubo. Estava resolvida, definitivamente, a charada

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