Banhado do Barro Preto

Na última vez que estive em Cachoeira do Sul, fui rever o banhado do Barro Preto, que ficava próximo ao rancho em que me criei. Se tivesse ouvido os conselhos de Rubem Alves, não teria voltado lá, aquele não  é mais o meu lugar. Tudo está mudado.

Aquele ecossistema, pleno de vida, enriquecido pela presença abundante da fauna e da flora, sofreu uma drenagem que o descaracterizou. Não há mais os  mananciais e as fontes d’água de outrora, em que vicejavam o aguapé, a grama boieira e a tiririca, habitados por galinholas, marrecões, garças, socós, colheleiros, martins-pescadores, mergulhões, bandos de chopins e até por algum solitário joão-grande.

Nas suas águas havia de tudo um pouco: lambari, traíra,  muçum, sanguessuga, caramujo, formando um habitat natural para ratões, preás, sapos e seus predadores.De lá, o êxodo rural retirou a presença até dos humanos que viviam ou bebiam daquelas  águas.

Hoje, a primavera no banhado está muda, virou deserto verde, com a monocultura da soja, contaminada por agrotóxicos. Definitivamente, o banhado do Barro Preto não é mais o meu lugar.

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