Português “correto”

Num dia desses, uma senhora me provocou dizendo que “o povo fala tudo errado”. É claro que ela discordou de mim quando eu disse que, em língua, o “correto” está relativizado, seria melhor dizer “adequado” ou “inadequado” de acordo com o contexto de comunicação.

Lamentavelmente, o ensino da língua tem servido também para criar o que chamo de “preconceito lingüístico” em relação aos diversos dialetos sociais que formam o português falado no Brasil. Privilegia-se uma suposta norma culta, que ninguém sabe bem qual é.

Eu convivi com analfabetos, quando trabalhava no campo, e com intelectuais nas universidades, e sempre me preocupei com essa questão sociolinguística. Percebi, por exemplo,  que os analfabetos também são capazes de se comunicar muito bem e de dizer coisas verdadeiras.

Constatei, também, que aqueles pobres trabalhadores rurais  “sabiam” conviver em sociedade, amar e ter uma vida feliz. Acho que é exigir demais de grande parcela da população brasileira que vive fritando a bosta pra comer o torresmo e ainda ter de falar o português dos bacanas.

Para terminar: Certo dia, eu “embarquei” no ônibus e me sentei ao lado de um auxiliar de pedreiro, que voltava do trabalho. Naquela época, existia a campanha do Fora Sarney e o cidadão ao lado encerrou a breve prosa comigo sobre aquele assunto, dizendo: “Depois de o bugio trepar, não adianta a cachorrada acuar em baixo”.

Não estava tudo certo?

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