Guasqueando o amnhã

Tresanteontem eu estava rabiscando alguma coisa pra botar no Facebook, quando me lembrei do Banhado do Barro Preto – de novo!

Não existe mais nada por lá, exceto soja transgênica. Ali perto, não há nem sinal do rancho em que me criei, feito com tábua de pinho e coberto de santa-fé.

Eu era feliz morando lá – meu doce lar – convivendo com os meus familiares e um mudo de bichos, como as mamangabas que faziam seus ninhos nos caibros de eucalipto e de marimbondos que me entretinham pendurando casulos de barro nas ripas de taquara.

No arvoredo, havia a minha luta constante com os bem-te-vis, disputando a delícia dos figos. Isso sem falar do canto dos sabiás nas manhãs primaveris, que é outra coisa difícil de esquecer.

Essa vida simples de menino feliz acabou. Agora, eu sou um velho diabético, em total decadência, sem saber o que posso fazer amanhã.

Quem sabe eu ainda possa voltar um dia, noutra encarnação e, no mesmo lugar da tapera, encher os bolsos de bergamotas.

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