Vereador voluntário?

 

No tempo que eu era professor da rede estadual de ensino, participei de nove greves. Morava no Bairro  Itararé, numa casa alugada de um senhor proprietário de vários imóveis. Ele vivia disso.

Quando eu chegava da escola, de cabeça quente, sempre o encontrava nas imediações e vinha me encher o saco, era contra a greve. Não deu outra: tivemos um arranca-rabo muito feio ele até me ameaçou com um revólver.

Outra coisa que ele costumava dizer era o seguinte: “Antigamente, dava gosto a gente ir à Câmara de Vereadores e ver aqueles doutores usar à tribuna e fazer belos discursos no português correto. Hoje, tem uma bagaceirada que não sabe nem se expressar”.

Eu não agüentei mais, paguei  o aluguel, pintei a casa  e mudei para Camobi. Depois disso, ele teve um câncer no cérebro e foi para o céu.

O que me chama a atenção é o fato que muitas pessoas têm essa mesma concepção política de que o legislativo deve ser representado somente pelas elites, até de maneira voluntária, sem salário.

Isso seria um atentado à  democracia, o trabalhador, o cidadão comum, não teriam representação. Não deve  haver abuso com o dinheiro público, mas o vereador precisa ter salário e diárias para o ressarcimento de despesas a serviço do legislativo.

A gente ouve disso de algum louco, aqui ou ali, mas devemos tomar cuidado: se a mídia golpista vestir essa camisa, isso pode acontecer

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