Peão

 

Aos treze anos de idade, um piá que não havia sequer aprendido o beabá, saiu de casa para  procurar serviço pelas fazendas. Então começou a vida de peão, no Irapuazinho com o chimango Borges de Medeiros, que governou o Rio Grande durante 25 anos. (Por razões etimológicas, ximango devia ser grafado assim, mas prefiro a forma consagrada pelo uso, que deu nome ao poemeto satírico Antônio Chimango, de autoria do cachoeirense Ramiro Barcelos, primo do governador).

Voltando à história de meu pai, nas andanças pelos pagos, aprendeu tudo das lides do campo, tornou-se um peão de mão cheia, sabia tosar a martelo, tirar as cócegas de um aporriado e até castrar touro. Depois, encontrou a minha mãe, uma china faceira e enquartada, com quem foi logo juntando os pelegos e, de lambuja, aprendendo a ler e escrever. Não acolherava muito bem as letras, mas dava para o gasto.

O meu pai apreciava um surungo e dançava sempre até o dia clarear. Para encurtar i causo, gostava de tudo o que esse Rio Grande tem de especial: china, chimarrão, churrasco, toque gaita e violão, de vez em quando, um trago de caña para espantar o frio ou o calor.

Ele cumpriu seu destino de peão, pobre e simples, mas marido e pai afetuoso. Tinha nome de gente boa – Manoel – mais conhecido por Maneco.

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