Mein Kampf

 

Eu tenho escrito sobre minha luta de peão, quando trabalhava com o meu pai em lavoura de arroz. Convivíamos com pessoas analfabetas e ingênuas, que tinham exagerado respeito e admiração pelos ,   “doutores”.

Fazíamos os trabalhos mais pesados e insalubres que existiam, como cortar eucalipto a machado e limpar canais de irrigação cheios d’água e infestados de cobras e sanguessugas em pleno inverno.

Mas esse foi, para mim, um tempo de muita aprendizagem. Aprendi que a maior riqueza do ser humano não está nos títulos nem nos  bens materiais que possui, mas na capacidade de convívio fraterno com o seu semelhante.

(Naquele tempo, apelido não era bullying, nem trabalho infantil era crime).

A estrutura familiar diferente: o meu pai, peão, ganhava o pão de cada dia com o suor de seu rosto; a minha mãe, dona de casa, de afazeres domésticos, cuidava dos filhos. Hoje, homens e mulheres se tornaram competitivos no mercado de trabalho e os filhos são educados pelos aplicativos eletrônicos.

O meu pai era do tipo machão, mas a minha mãe gostava. Bastante submissa, sem deixar de ser alegre e de boa prosa, ela cantava as músicas de Ângela Maria, com voz bem afinadinha, era feliz. Hoje, as mulheres têm faculdade, mas andam muito carentes.

Foi nesse ambiente que me criei e fui peão. Certo dia de muito calor, fazendo taipa, às 11 horas, bateu-me uma preguiça, com fome e sede que já nem podia erguer a pá.

Então o meu pai, que admirava doutores, percebendo a minha fraqueza, disse: “Filho, larga disso e vá estudar para ser alguém na vida”.

Foi assim que me tornei professor.

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