Amanonciando

Nesses tempos de eguada xucra, o jeito é amanonciar. O sujeito não pode chegar mais de mango e espora, tem lei que protege esses animais.

Eu sempre gostei de dar umas gauderiadas, de me pilchar e sair bem monarca. Mas a égua  já me estranhou na hora de botar o freio, encilhei ralhando com o animal até que montei.

Foi aí que eu facilitei e a ruana velha resolveu velhacar de tal forma que me jogou de lombo no chão. E saiu galopando coxilha acima, de cola alçada e peidando, parecia uma tempestade se armando lá para o lado do Uruguai.

Me alevantei do tombo, sacudi a poeira; peguei o chapéu e fui para o rancho. Estava triste com o fiasco, não é qualquer égua que derruba um gaúcho. Nunca tinha me acontecido isso.

A melhor égua que eu conheci foi a petiça do Jagunço. Era uma rica pessoa, mansinha, aceitava bem o cabresto, aprendi com ela a montar. (Eu sempre disse que, se aquela petiça fosse gente, seria uma pedagoga).

Apesar daquela rodada que quase me arrebentou os bofes, tentei montar de novo. Peguei um bornal de milho e chamei a água. Enquanto ela comia, fui alisando suas crinas douradas, tirando-lhe as cócegas. Depois, montei.

O gaúcho é assim: vai ensinando e aprendendo com os bichos. Com égua xucra, o jeito é amanonciar.

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